Página de Economia atualizada

28 04 2008

Pra quem se interessar, adicionei à página de Economia dois textos interessantíssimos, sobre o Neoliberalismo. O primeiro, Fim da onda neoliberal, foi publicado essa semana na Folha de S. Paulo e gerou muita polêmica no meio econômico, e trata da crise pela qual atravessa o modelo. O segundo é uma crítica ao primeiro, e foi publicado na Revista Época dessa semana. Os textos (essa semana, pelo menos) são exclusivos para assinantes da Folha e da Época, como eu assino os dois passei os textos aqui pro blog pra ficarem acessíveis para todos.

Escrito por renanfig.





História mal contada

24 04 2008

O episódio recente do “gás de pimenta” no vestiário do São Paulo é mais um desses misteriosos eventos que causam comoção geral quando acontecem e no final nada é devidamente esclarecido. Na história, todo mundo é suspeito, inclusive (ou até principalmente) o próprio São Paulo. Sei que a essa altura o blog já deve estar parecendo uma coletânea de teorias de conspiração, mas não deixa de chamar a atenção a quantidade de fatos que colocam o São Paulo em uma posição complicada:

1) Os dirigentes do São Paulo rejeitaram os camarotes oferecidos pela direção do Palmeiras para ver o jogo das tribunas do Parque Antártica, foi preferido assistir o jogo do vestiário, na televisão. O mais interessante é saber que os dirigentes passaram todo o primeiro tempo no vestiário mas não se encontravam lá no momento exato em que o gás foi acionado;

2) Um gás com aquelas características é menos denso que o ar, portanto fica difícil acreditar na hipótese que o gás tenha sido jogado de fora pra dentro, pela tubulação do vestiário, pelo fato de o vestiário ser a parte mais baixa do estádio. A Polícia Militar praticamente descarta a hipótese do evento ter sido causado por algum torcedor ou vândalo de fora do vestiário;

3) E o principal, as motivações de cada time para fazer o que foi feito. Durante toda a semana, os dirigentes do São Paulo eram contra a disputa da partida no Parque Antártica, afirmando que o estádio não tinha condições de abrigar um jogo tão importante, tentando transferir a decisão para o Morumbi. Um episódio lamentável como esse só daria razão ao argumento são paulino, podendo inclusive refletir na decisão dos locais das partidas finais do campeonato, que seriam disputadas no Morumbi, gerando renda ao clube mesmo sem disputar a final. O Palmeiras, por sua vez, deve se interessar somente em provar o contrário, que seu estádio tem todas as condições de abrigar jogos importantes, portanto não vejo motivação por parte da diretoria do Palmeiras cometer um absurdo desses.

Claro que esses fatos não provam coisa alguma, mas essa desconfiança do São Paulo só acaba sendo fruto de episódios passados, como quando o Bosco simulou ter sido atingido por uma pilha ano passado, para tentar a interdição do estádio palmeirense, ou quando, no clássico com o Santos, na Vila Belmiro, torcedores da Independente começaram brigas nas arquibancadas conseguindo vetar o estádio santista para as decisões do campeonato.

Já circula na Internet um vídeo editado por um palmeirense tentando comprovar a farsa, mas o fato é que, dadas as circunstâncias do acontecimento, fica muito difícil provar qualquer coisa à essa altura do campeonato, por isso acho que, como muita coisa no Brasil, esse é mais um daqueles episódios que acaba não dando em nada, e o culpado certamente sairá impune. Infelizmente, pois estamos tratando de um país que irá sediar uma Copa do Mundo em pouco tempo.

Escrito por renanfig.





Toma lá, dá cá

21 04 2008


Para iniciar a atividade produtiva do blog, posto um texto que escrevi há um tempo, mas que continua bem atual.

Zapatero, aparentando certa frustraçãoEsse episódio recente dos atritos diplomáticos entre Brasil e Espanha ilustra bem a forma como são conduzidas as problemáticas relações internacionais na atualidade. Devido à intensificação da globalização, presenciamos um aumento acentuado dos fluxos migratórios, principalmente em direção aos países ricos. Esse aumento depois de certo ponto fica insustentável, pois país nenhum tem condição de receber uma grande quantidade de imigrantes em pouco tempo. Podemos perceber a gravidade do tema quando somos apresentados à singela proposta do Congresso americano de construir um muro divisório entre EUA e México, com nada menos do que 600km de concreto em pontos estratégicos da fronteira ou quando lidamos com notícias de milhares de estrangeiros sendo deportados da UE frequentemente.

A crise Brasil e Espanha é só mais um caso que evidencia a dificuldade de se lidar com o problema. Mas saídas foram encontradas, o fato é que a tão criticada “lei da reciprocidade” aderida pelo governo brasileiro aparentemente deu certo no caso. Zapatero, que acaba de ganhar as eleições na Espanha, já sinaliza com uma possível trégua com os brasileiros. Bem, mas a estratégia usada não foi simplesmente sair barrando espanhol em território nacional para que a relação entre os dois países se estabilizasse, é necessário perceber todas as ações tomadas pelo governo brasileiro para contornar o problema.

Para começar, a mobilização de uma vez só de grande parte da mídia nacional (muito interessante, em duas semanas o caso dos brasileiros barrados em Madri saiu na Veja, Época, IstoÉ, além de todos os jornais da Globo, mesmo com o fato acontecer com freqüência durante os últimos três anos, só em 2007, mais de 3mil brasileiros foram barrados na Espanha). O momento para o alarde também foi escolhido com precisão cirúrgica, as vésperas das eleições presidenciais cujo um dos temas principais é a imigração (a Espanha é um dos países que mais recebe estrangeiros na União Européia, fato que motiva fortes pressões para o aumento da rigidez no país para a entrada de estrangeiros), o que fez com que a intensificação das ocorrências de deportação fosse benéfica para os dois lados, tanto para o brasileiro, pois daria ares de escândalo nacional ao episódio, trazendo a mobilização pública e atenção internacional para o caso, como para o espanhol, pois fortaleceria a campanha da base governista, que enfim estaria tomando decisões drásticas para lidar com o assunto. Para finalizar, o ataque aos turistas espanhóis. O que vimos foi a tal “lei da reciprocidade” sendo usada com tudo, com direito inclusive ao “flagra” obtido pela reportagem da Rede Globo, com um espanhol (de 30 e poucos anos, solteiro e com dinheiro, é claro) sendo barrado no aeroporto de Fortaleza (cidade praiana, com a fama do turismo sexual já consolidada, é claro), reportagem pra ser vinculada no mundo todo.

O “flagra” merece um parênteses especial, será que muita gente acreditou naquela armação, com o cinegrafista da Globo pegando as “imagens exclusivas” de dentro do guichê do aeroporto e filmando a cara de desilusão do turista tendo que voltar pra casa? A estratégia brasileira, ao que tudo indica, vai dar certo, e por isso o episódio serve de alerta sobre a nova ordem mundial, pois, se é o acirramento das relações diplomáticas que resolve uma situação problemática, imagine você qual será o possível patamar que situações futuras poderão atingir.

Escrito por renanfig.





alea jacta est

17 03 2008

Bem-vindos à epifania do ócio produtivo!